Associação
Brasileira de História Oral
Debate
esse, completamente, sintonizado às novas tendências da historiografia
detonadoras de profundas transformações no campo das Ciências Sociais. Neste
sentido, a história da ABHO é inseparável de tal contexto, e ocorre no bojo
de uma série de questionamentos e rede
definições nas práticas acadêmicas e sociais.
Pensar
a ABHO hoje e fazer um balanço sobre sua história, é o mesmo movimento que
tenta construir a memória da formação do campo da história oral no Brasil,
como fica claro nas reflexões da
historiadora Marieta de Moraes Ferreira:
Até
o começo dos anos 90 a expansão da História Oral no Brasil, mostrou-se
limitada. É verdade que, nas décadas anteriores, foram criados programas
importantes e pesquisadores individuais realizaram trabalhos relevantes, utilizando
Contudo, a História Oral não merecia figurar nos currículos dos cursos universitários. Era objeto de pouca reflexão metodológica específica e nem constava nas programações de seminários e simpósios.
Ao longo dos anos 90, esse quadro se alterou de forma substantiva, indicando um crescimento inusitado, e por vezes assustador, da História Ora. Diferentes fatores podem explicar esse clima favorável, tais como uma nova articulação acadêmica que se tem empenhado na organização de Encontros de História Oral e a própria criação da Associação Brasileira de História Oral, mas o elemento explicativo mais significativo pode ser detectado a partir de uma forte demanda social.
Depois
de uma longa predominância da história estrutural e da
desvalorização da análise do papel dos indivíduos e, conseqüentemente,
do uso dos relatos pessoais, das histórias de vida e das biografias, esse
quadro alterou-se de forma radical. A comunidade acadêmica e a
sociedade de modo geral têm demonstrado
um interesse crescente pela recuperação da memória coletiva e individual, bem
como pela valorização do papel
Nesta
direção, Roger Chartier nos alerta para o grande desafio que se coloca para o
pesquisador do tempo presente: “é fundamental a articulação entre, de um
lado, a descrição e percepção dos atores, e de
outro, a identificação das
determinações e das
interdependências desconhecidas que tecem os laços pessoais”.
A metodologia da História Oral constitui um espaço privilegiado para uma reflexão sobre as modalidades e os mecanismos de incorporação social pelos indivíduos de uma mesma formação social. Os relatos pessoais, matéria-prima da História Oral, constituem um lugar para verificar a liberdade de que as pessoas dispõem e para se observar como funcionam concretamente os sistemas normativos. São essas questões que explicam a vitalidade e a demanda de que a História Oral é alvo na atualidade.
São
essas
também as questões que vêm alimentando o debate no interior da ABHO, nos seus
oito anos de existência, ao mesmo tempo que consolida diretrizes e
procedimentos
para o trabalho com fontes orais.