APRESENTAÇÃO

 

 

 

 Associação Brasileira de História Oral 

 ABHO

 

           A Associação Brasileira de História Oral, é uma associação que congrega estudiosos e pesquisadores das diferentes áreas das Ciências Sociais voltados para trabalho no campo da História Oral. Foi criada no dia 29 de abril de 1994, no Rio de Janeiro, durante o II Encontro Nacional de História Oral, como resultado de um processo que havia iniciado em 1992, no Congresso América 92, quando os debates sobre a necessidade de uma associação começaram a se delinear.

Debate esse, completamente, sintonizado às novas tendências da historiografia detonadoras de profundas transformações no campo das Ciências Sociais. Neste sentido, a história da ABHO é inseparável de tal contexto, e ocorre no bojo de uma série de questionamentos e rede definições nas práticas acadêmicas e sociais.

Pensar a ABHO hoje e fazer um balanço sobre sua história, é o mesmo movimento que tenta construir a memória da formação do campo da história oral no Brasil, como fica claro nas reflexões da historiadora Marieta de Moraes Ferreira:

Até o começo dos anos 90 a expansão da História Oral no Brasil, mostrou-se limitada. É verdade que, nas décadas  anteriores, foram criados programas importantes e pesquisadores individuais realizaram trabalhos relevantes, utilizando essa metodologia de pesquisa.

Contudo, a História  Oral não merecia figurar nos currículos dos cursos  universitários. Era objeto de pouca reflexão metodológica específica e nem constava nas programações de seminários e simpósios.

Ao longo dos anos 90, esse quadro se alterou de forma substantiva, indicando um crescimento inusitado, e por vezes assustador, da História Ora. Diferentes fatores podem explicar esse clima favorável, tais como uma nova articulação acadêmica que se tem empenhado na organização de Encontros de História Oral e a própria criação da Associação Brasileira de História Oral, mas o elemento explicativo mais significativo pode ser detectado a partir de uma forte demanda social.

Depois de uma longa predominância da história estrutural e da desvalorização da análise do papel dos indivíduos e, conseqüentemente, do uso dos relatos pessoais, das histórias de vida e das biografias, esse quadro alterou-se de forma radical. A comunidade acadêmica e a sociedade de modo geral têm demonstrado um interesse crescente pela recuperação da memória coletiva e individual, bem como pela valorização do papel do sujeito na história.

Nesta direção, Roger Chartier nos alerta para o grande desafio que se coloca para o pesquisador do tempo presente: “é fundamental a articulação entre, de um lado, a descrição e percepção dos atores, e de outro, a identificação das determinações e das interdependências desconhecidas que tecem os laços pessoais”.  

A metodologia da História Oral constitui um espaço privilegiado para uma reflexão sobre as modalidades e os mecanismos de incorporação social pelos indivíduos de uma mesma formação social. Os relatos pessoais, matéria-prima da História Oral, constituem um lugar para verificar a liberdade de que as pessoas dispõem e para se observar como funcionam concretamente os sistemas normativos. São essas questões que explicam a vitalidade e a demanda de que a História Oral é alvo na atualidade.

São essas também as questões que vêm alimentando o debate no interior da ABHO, nos seus oito anos de existência, ao mesmo tempo que consolida diretrizes e procedimentos para o trabalho com fontes orais.

  (Extraído  de texto de apresentação da Gestão 1998/2000)